Comitê discute implantação de software livre no Governo Federal
Os integrantes do Comitê Técnico de Implementação de Software Livre
(CISL) estão reunidos nesta terça-feira (31) no auditório do Ministério
da Ciência e Tecnologia (MCT) para avaliar a implantação de software
livre no âmbito do Governo Federal. Também fazem parte da pauta de
discussão o 2º Congresso Internacional Software Livre e Governo
Eletrônico (Consegi), que será realizado em agosto, entre os dias 26 e
28, em Brasília, e o Protocolo de Brasília, uma espécie de acordo para
a utilização do padrão Open Document Format (ODF) ou Formato Aberto de
Documentos. A abertura do encontro foi feita pelo secretário de
Política de Informática (Sepin), Augusto César Gadelha.
O
assessor técnico da Sepin, Marcelo André de Barros Oliveira, lembrou
que desde o início deste debate se discute uma maior participação, por
parte de órgãos do Governo Federal, na implantação de software livre.
"Até mesmo por questão de segurança precisamos ficar independentes dos
softwares proprietários", ressaltou.
A vice-presidente de
tecnologia da informação da Caixa Econômica Federal (CEF), Clarice
Coppetti, defendeu a popularização dos softwares livres em todas as
esferas da administração pública, seja ela, federal, estadual ou
municipal. "Integrantes de setores do Governo precisam estar mais
receptivos à aquisição do software livre. É preciso gastar o dinheiro
público com mais propriedade", defendeu.
ODF
O
Open Document Format (ODF) ou Formato Aberto de Documentos é usado para
armazenagem e troca de documentos, como textos, planilhas, bases de
dados, gráficos e apresentações. No Brasil o ODF foi escolhido pela
administração pública como protocolo padrão. De acordo com o assessor
da Sepin, Marcelo Oliveira, o protocolo tem como objetivo garantir um
formato único para documentos eletrônicos. "A utilização do novo padrão
é requisito fundamental para que a instituição esteja em conformidade
com as políticas do Governo Federal. Precisamos garantir que um
determinado documento gerado hoje possa ser aberto por um outro
aplicativo anos mais tarde", disse.
Serpro
O
diretor-presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados
(Serpro), Marcos Mazoni, também coordenador do CISL, destacou que o
Governo Federal passa atualmente por um processo de migração do
software proprietário para o livre. "A parte de infra-estrutura está
quase toda em software livre. A interface com o cidadão é o que temos
que modificar. Mas, por uma questão de resistência, essa parte é mais
demorada. O usuário final ainda é muito resistente a mudanças",
explicou.
Mazoni acrescenta ainda que os detentores dos
direitos dos softwares pagos são mais eficientes no que diz respeito à
disseminação de seus produtos. "Os usuários começam a ter contato
primeiramente com os softwares pagos. Precisamos reverter esta situação
e fazer com que eles passem a utilizar a plataforma livre sem
transtornos", enfatizou.
Correio eletrônico
O
coordenador do CISL, Marcos Mazoni, citou o programa Expresso - solução
de correio eletrônico, agenda e catálogo de endereços, totalmente
construída em software livre - como uma das ações da administração
pública para popularizar o acesso aos softwares livres. "Mais de 40 mil
funcionários do Governo Federal acessam sua caixa de e-mails sem estar
presente fisicamente diante do computador. É uma multiplataforma que
liberta o usuário", explicou. A independência de fornecedor, o baixo
custo, a utilização de protocolos padrões, a mobilidade dos usuários e
a alta escalabilidade estão entre as características do aplicativo.
Consegi
A
coordenadora estratégica de relações institucionais do Serpro, Ana
Maria Amorim, disse que o Congresso é um importante espaço para
promover a troca de experiências e informações entre instituições da
Administração Pública, sociedade civil organizada e representantes de
países parceiros.
Amorim também destacou a importância da
adesão dos setores do Governo ao software livre. "Por questão de
segurança, a administração pública precisa estar atenta à mudança de
seus softwares. Não sabemos o que há por trás desses programas pagos.
Os ministérios da Defesa e Relações Exteriores, que ainda não utilizam
este tipo de ferramenta deveriam estar mais atentos", alertou.
O
Consegi 2009 será realizado em Brasília, na sede da Escola de
Administração Fazendária (Esaf), entre os dias 26 e 28, do mês de
agosto, deste ano. Mais informações sobre o Congresso poderão ser
acessadas pelo endereço eletrônico: www.consegi.gov.br.
Software livre
O
software livre é todo programa de computador que pode ser usado,
copiado, estudado, modificado e redistribuído sem nenhuma restrição.
Ele tem seu modelo de desenvolvimento baseado no compartilhamento, ou
seja, uma empresa ou desenvolvedor disponibiliza sua solução para a
comunidade, que pode usá-la e aprimorá-la. Dessa forma cria-se um ciclo
virtuoso de desenvolvimento, favorecendo, ao criador, em particular, e
a todos que quiserem utilizar a ferramenta.
O uso e
desenvolvimento de software livre é um investimento em tecnologia sobre
bases éticas e socialmente responsáveis, já que o compartilhamento do
conhecimento permite a socialização do desenvolvimento tecnológico e o
combate à privatização do saber.
A opção tecnológica por
software livre também é estratégica para o desenvolvimento de soluções
de governo, já que permite o avanço tecnológico de maneira segura e
eficiente, sem o estabelecimento de dependência de fornecedores e
consequente aprisionamento tecnológico.
Fonte: MCT