Mercado de laptops espera boom no ano
Fabricantes de computadores e analistas esperam um crescimento acelerado nas vendas de notebooks no Brasil neste ano, semelhante ao experimentado em 2006 pelos desktops (aparelhos de mesa). Eles aguardam novas medidas de incentivo fiscal e a escolha do modelo, pelo governo, que será levado às escolas públicas.
Depois de expectativas não-concretizadas no último ano, o governo
brasileiro planeja começar a testar nas próximas semanas, em cinco
escolas do país, três modelos de computadores portáteis para o seu
projeto de inclusão digital.
Negociações entre governo e esfera
privada também abrangem a ampliação das isenções de PIS e Cofins a
laptops cujos preços sejam de até R$ 4.000. Atualmente o limite,
estabelecido por decreto na época da "MP do Bem", em dezembro de 2005,
está em R$ 3.000.
Para desktops, o preço-limite para incentivos passaria de R$ 2.500 para R$ 3.000.
"A
mudança não ampliaria muito as vendas de desktops porque os que mais
vendem hoje são aqueles que custam na faixa de R$ 1.000. Afetaria mais
notebooks. É possível ampliar bastante a gama de produtos", diz
Reinaldo Sakis, analista sênior da consultoria IDC Brasil.
Para
Hugo Valério, diretor da área de informática na Abinee (associação da
indústria elétrica e eletrônica) e de assuntos estratégicos da HP
(Hewlett-Packard), os incentivos da "MP do Bem" e o programa do governo
"Computador para Todos" (para o financiamento de máquinas ao
consumidor) ajudaram a reduzir o tamanho do mercado cinza, de produtos
ilegais, no ano passado.
Segundo ele, tais máquinas migraram para faixas de preços superiores, que, com as novas isenções, teriam concorrência.
Estima-se
que tenham sido vendidos 8,3 milhões de computadores no país em 2006,
dado incluindo o mercado cinza. O crescimento foi de 43%.
A
participação de laptops deve ter chegado a 7% do total, ante algo entre
4% e 5% no ano anterior. O número está distante dos de mercados como o
americano e o asiático, perto de 30%, e de emergentes como México (15%)
e Chile (20%).
A expansão do segmento pode ser atribuída ainda à
entrada de novos produtos a preços menores. É uma conseqüência do ganho
de escala obtido com as vendas maiores na esteira da "MP do Bem" e deve
prosseguir em 2007, afirma Juan Jimenez, vice-presidente da HP.
Ricardo
Shiroma, gerente de produtos da Dell, diz esperar incremento nas vendas
especialmente no mercado de pequenas e médias empresas e de alunos do
ensino superior e de pós-graduação. O segmento corporativo representa
80% dos negócios da Dell.
Nas escolas
Em paralelo
ao varejo, cresce o interesse de países em desenvolvimento como o
Brasil em laptops "populares" --com preços menores e menos recursos--
com fins educacionais.
Além do Brasil, Argentina, Uruguai,
Nigéria, Paquistão e Tailândia, entre outros, devem começar a testar
nas escolas neste ano o laptop de Nicholas Negroponte, co-fundador do
Media Lab (laboratório de mídia) do MIT (Instituto de Tecnologia de
Massachusetts).
Lançado pelo laboratório há três anos, o "laptop
de US$ 100" --como é chamado, embora o preço deva se aproximar de US$
150-- hoje é gerido pela organização sem fins lucrativos OLPC ("Um
Laptop Por Criança", em inglês), de Negroponte.
Cerca de mil
aparelhos foram fornecidos ao governo brasileiro. Os testes ocorrerão
em uma escola do Rio Grande do Sul e em outra de São Paulo.
Outros
800 são da multinacional Intel, e 40 foram doados pela Encore, empresa
de tecnologia com sede em Bangalore, na Índia. Os testes da primeira
serão em escolas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, e os da asiática,
em uma de Brasília.
Carlos Luzzi, diretor para assuntos
corporativos da Intel, diz que a discussão do uso de computadores nas
escolas na proporção "um por aluno" pode ser só a "ponta do iceberg".
"Vai modificar a dinâmica do aprendizado. É um processo que levará
tempo, mas as perspectivas são animadoras."
Segundo ele,
projeções indicam existir 55 milhões de alunos nos ensinos médio e
fundamental da rede pública. Além do governo federal, Luzzi diz que
Estados como SP, Minas, Paraná, Rio Grande do Sul e Pernambuco
demonstram interesse em adotar os modelos.
Fonte:http://www.folha.com.br